segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Quem sou eu, ou melhor, que buziano seria eu?






Eu me chamo Carlos de Carvalho Marques, o Gulle e para aqueles que desejam conhecer um pouco de minha história como cidadão buziano e um de seus homens públicos, leiam por favor o que se segue:

Em 31 de março de 1958 nasci no então esquecido e pacato 3º Distrito de Cabo Frio – Armação dos Búzios -, e tão logo dei os primeiro passos, os buzianos que conviviam ao meu lado, carinhosamente iriam me chamar de Gulle, ao invés de Carlos.


Minha origem, a portuguesa, vinha da parte de pai e a nativa, por parte de minha saudosa mãe, sendo bisneto do laborioso Cassiano - antigo morador da paradisíaca praia da Azeda e tendo como avô, o não menos famoso, Pauzênio Rodrigues de Carvalho, conhecido mais pelo apelido: "Boquinho". Era meu avô, um dos bons pescadores locais, e que fora dono do barco de pesca de nome Paulicéia.



Até os 14 anos, fui obrigado, tal como a maioria dos jovens adolescentes buzianos, a trabalhar na pesca tradicional, onde através da rede da canoa Esperança, puxada na praia dos Ossos, vinha ser o meu principal rendimento, mas pelo qual ajudava no sustento de minha família. Em seguida, fui obrigado a me deslocar para Cabo Frio, para dar continuidade aos meus estudos. Nessa mudança obrigatória, percebi claramente como Búzios – sendo um distrito pobre e dependente de Cabo Frio - era muito carente em matéria de oferecer aos seus filhos, boa e completa escolaridade.



E se nos faltavam escolas para nos instruir condizentemente para um futuro mais promissor, o que falar sobre o atendimento na área da saúde?...Foi uma triste constatação, mas esse processo de dificuldades em que os buzianos viviam em decorrência da tirânica dependência de Búzios em relação a Cabo Frio, iria influenciar no futuro, meus objetivos, os quais foram sonhados e se concretizaram com a independência política e admistrativa de Búzios.



Em Cabo Frio trabalharia por quatro anos, na farmácia Drogamar. Após a proveitosa experiência nesta tradicional farmácia de Cabo Frio, eu fui chamado para trabalhar no UNIBANCO - no setor administrativo - exercendo a função de supervisor, sendo uma de minhas atribuições, o de fazer o fechamento da contabilidade bancária diária.



No trabalho bancário, me deparei com uma de minhas vocações inatas: uma fácil desenvoltura voltada para os serviços administrativos. Isto certamente, é um de meus atributos de minha natureza pessoal, que herdei de meus valorosos antepassados que habitaram Armação dos Búzios, num tempo de muita carência material. Quem conhece a história de meu bisavô Cassiano, que administrava ao mesmo tempo, sua lavoura no morro da praia Azeda, a pescaria no mar e ainda achava tempo para tomar conta de seu gado, sabe do que estou falando...



E com a minha saída do UNIBANCO, utilizei a indenização trabalhista para adquirir um caminhão de carroceria, o que seria uma fonte de geração de rendas; mas sempre esteve a serviço da população de Búzios; pois eu o emprestava para fazer mudanças e pequenos serviços. Em suma, pagavam pelos serviços prestados, somente aqueles que podiam...



Comecei a exercer a vida pública antes da emancipação de Búzios, pois fui comissionado a melhorar o atendimento médico local; tendo como primeira missão: descentralizar os serviços de saúde, otimizando o atendimento do Posto de Urgência de Manguinhos e reabrindo o ambulatório Dr. Paulo Acherman, na rua Turíbio de Farias. Em seguida, trabalhei na concretização da instalação do primeiro Módulo de Médico de Família no atual bairro de Cem Braças e na época, não demorou, para que este importante serviço (Programa Médico de Família) fosse estendido para o Posto de Saúde da Rasa.



Eu tive o privilégio de ser um - entre os muitos dedicados moradores nativos - que contribuíram eficazmente para a campanha de emancipação de Armação dos Búzios. E após o antigo Distrito de Cabo Frio, conquistar a sua independência política e administrativa, comecei a atuar como assessor no primeiro mandato do Executivo municipal. Foi nesse momento que surgiu o sonho de contribuir de forma mais efetiva para o desenvolvimento sócio-econômico da sociedade buziana; ou seja, a de me tornar um de seus vereadores.



Engajado assim, na vida política-administrativa de Armação dos Búzios, isto me veio gerar genuíno interesse no Legislativo; pois Armação dos Búzios sendo a mais nova cidade do Rio de Janeiro, ainda tinha muito que ser construído, principalmente em relação a elaboração de leis para reger a nosso convívio sócio-cultural e o nosso desenvolvimento econômico. Em outras palavras, eu desejava me tornar em um dos formuladores de boas e eficazes políticas públicas para o desenvolvimento do povo buziano como um todo. Portanto, tinha chegado à hora em que era preciso dedicar definitivamente meu tempo e minha capacidade intelectual à política.



Se comecei a gostar de política, era então da opinião de que as pessoas devem militar nas coisas de que gostem, mesmo que vivemos em um tempo de descrença absoluta na política e nos políticos, onde as pessoas tem muita resistência. O desencanto com os políticos é muito grande. Mas renovar os nossos quadros políticos é essencial. De modo que precisamos ter compromissos com o processo eleitoral e político em Búzios, pois precisamos ver sempre a política como atividade dedicada a possibilitar a vida coletiva, como luta para instituir um poder democrático, viabilizar o melhor governo e distribuir justiça.



E embora não tenha sido eleito, a satisfação foi muito grande, pois eu me empenhei com devoção para concorrer pela primeira vez a uma vaga no legislativo municipal, ou seja, procurei buscar através do voto, a missão de legislar em prol da dignidade do povo buziano. E amadureci a visão de que o bom político - o político que se coloca da perspectiva dos cidadãos - não pode iludir as pessoas ou manipular suas esperanças. De modo que eu estou sempre disposto a dignificar de forma consistente a atividade política e me envolver profundamente com os assuntos que dizem respeito à vida coletiva buziana. Mesmo que ainda não tenha sido eleito vereador, construí com muita dificuldade, uma biografia em que posso me orgulhar; pois acredito que todo político deve ter uma biografia e uma atuação pública capaz de revelar o teor de seus compromissos com o bem estar da coletividade, seus vínculos e relacionamentos, seus apoios e seu modo saudável de agir na sociedade.




E tão logo assumimos este cargo, com o qual me identificava profundamente, uma vez que nos capacitava a buscar reais soluções para os nossos problemas, conseguimos para Armação dos Búzios, através do governo estadual, duas ambulâncias. Em suma, como Agente de Desenvolvimento local, tive a oportunidade de me empenhar em fazer inúmeras solicitações ao Executivo estadual, de serviços que faltavam em nossa cidade.



De nossa parte, foi elaborada a primeira solicitação para se instalar um Grupamento do Corpo de Bombeiros na cidade. Na época, também solicitei a implantação de todos os projetos que a Secretaria de Pesca estadual pudesse oferecer aos nossos pescadores, a exemplo do módulo para a fabricação de gelo e seu armazenamento.



Visando a capacitação de nossos jovens, entabulamos o pedido ao governo do Estado para a implantação de um Centro de Informática e um Centro Profissionalizante na cidade. Também exigimos a implantação do Ensino Superior a Distância. E atuamos persistentemente na solicitação da implantação do Ensino Supletivo no Colégio João Oliveira Botas.



Pleiteamos e conseguimos a instalação de um núcleo da Fundação Leão XIII, o qual foi inserido no espaço do antigo Detran e começou seus trabalhos com a distribuição de leite para crianças e idosos com necessidades especiais. Conseguimos também a implantação de um programa para a distribuição do passe especial para idosos e portadores de doenças crônicas. E conseguimos melhorar as instalações para a modernização do sistema de Identificação Civil, quando sob nosso pedido, o governo estadual instalou em Búzios, um Núcleo de Habilitação, também no antigo Detran, no centro de Búzios.



Mas entre todas as conquistas atuando como representante do Estado no município, e a que me deu grande alegria, foi à conquista da ampliação e reforma do nosso querido Colégio João de Oliveira Botas, na Praia da Armação. Nesta reforma, praticamente fora feito um novo colégio.



Vindo a não atuar mais como Agente de Desenvolvimento de Búzios, fui eleito Presidente da Associação da Rua da Brava, cargo através do qual lutei por melhorias sociais que viessem não só a beneficiar a comunidade local (Bairro da Brava), como também as comunidades próximas, tais como a dos Ossos, Armação, Centro e até da Vila Caranga e esse objetivo encontrava-se no projeto de instalação do Módulo Médico de Família da Brava. E ainda, como presidente daquela Associação, solicitei ao Executivo municipal a total urbanização da rua Alfredo Silva (Rua da Brava), visando valorizar um dos mais antigos espaços urbanos de Búzios.



Acredito que como sempre pautei por um pacífico convívio com toda a população buziana, eu vim ser chamado pelo executivo municipal para exercer o cargo de Superintendente do Orçamento Participativo, objetivando criar condições para que as comunidades através de suas Associações de Moradores viessem indicar as suas prioridades junto ao Governo Municipal. Eu tinha a missão de auxiliar as Associações de Moradores no sentido de torná-las aptas para realizarem convênios a fim de que fossem instalados em suas comunidades - os Módulos do Sistema de Médico de Família.



Atualmente, atuo como assessor de gabinete no atual governo. É uma posição pela qual, eu tive como solicitar ao Executivo municipal, a necessária drenagem do bairro da Brava e Centro da cidade. Obras realizadas com sucesso, já que nas últimas chuvas, não foram detectados nenhum problemas no sistema de drenagem.



No momento, também exerço o cargo de Presidente do PPS (Partido Popular Socialista) de Armação dos Búzios. E recentemente, através de uma reunião com o nosso grupo político, foi sugerido um pedido formal ao deputado Comte Bitencourt (presidente estadual do PPS), para a inclusão no orçamento anual, da aquisição de duas ambulâncias (assistência móvel de urgência e emergência). Solicitação esta, que foi atendida, sendo aprovada pela Comissão de Orçamento da Assembléia Legislativa do RJ para o ano de 2008. Valor para a aquisição dos dois veículos: 250 mil reais.



Quero finalizar dizendo, que falar em promoção da cidadania buziana todos falam. A questão é saber se todos os homens públicos de Armação dos Búzios, exercendo cargos no Legislativo (seja na oposição ou não) e no Executivo, estão mesmo valorizando a nossa cidadania e criando condições efetivas para a sua ampliação. Pois esta também seria a “política com muita política”, a política dos cidadãos, ou seja, daqueles que prezam seus direitos e defendem os direitos de todos, que têm noção clara das obrigações comuns e se preocupam em participar da construção de uma convivência pacífica e superior em Armação dos Búzios.


Carlos de Carvalho Marques - GULLE